Implante dentário em idosos: cuidados, possibilidades e o que realmente importa
- Dr. Evandro Osterne Filho
- há 2 dias
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Recebo essa pergunta quase toda semana no consultório: “Doutor, será que ainda tenho idade pra fazer implante?” Na grande maioria das vezes, a resposta é sim. A idade, sozinha, quase nunca é o que decide. O que realmente conta é a saúde da pessoa, a qualidade do osso e a vontade de voltar a mastigar bem. Então vamos conversar sobre isso com calma.
Existe idade máxima para colocar implante?
Não existe um número mágico que impeça o implante. Já reabilitei pacientes na casa dos 80 anos com resultados excelentes. E os estudos concordam com o que vejo na prática: em pessoas acima dos 75 anos, a taxa de sucesso dos implantes passa dos 96% em cinco anos, praticamente a mesma de pacientes mais jovens. Ou seja, envelhecer não fecha a porta do implante dentário. O que muda é o capricho no planejamento.
O que pesa mais do que a idade
Saúde geral e doenças crônicas
Diabetes, pressão alta, problema no coração... nenhuma dessas condições, por si só, é uma barreira absoluta. O ponto é estarem controladas. Um paciente diabético com a glicemia bem cuidada cicatriza bem. Por isso costumo pedir exames e, quando faz sentido, converso com o médico que acompanha a pessoa. Não é burocracia: é para a cirurgia ser segura e a osseointegração acontecer sem sustos.
Osso disponível na região
Quem perdeu dentes há muito tempo tende a ter menos osso no local, e a osteoporose também pode deixar o osso mais frágil. Isso não inviabiliza o tratamento. Em muitos casos um enxerto ósseo resolve, ou escolhemos técnicas e implantes adequados àquela situação. Antes de qualquer coisa, faço uma tomografia para enxergar exatamente com o que estou lidando, em vez de trabalhar no escuro.
Atenção especial aos medicamentos
Aqui vai um pedido que faço a todo paciente: não esconda nenhum remédio do dentista, principalmente os de osteoporose. Os bifosfonatos (como o alendronato) e alguns injetáveis mudam o jeito como o osso se renova. Usados por muito tempo, sobretudo na forma intravenosa, aumentam o risco de uma complicação chamada osteonecrose dos maxilares.
Isso não quer dizer que quem toma esses remédios está proibido de fazer implante. Quer dizer que precisamos avaliar caso a caso, com calma, muitas vezes junto do médico. Por isso a lista completa dos seus medicamentos vale ouro logo na primeira consulta.
Os benefícios vão muito além do sorriso
Tem uma coisa que os números não mostram e que eu vejo no rosto do paciente: a alegria de voltar a comer o que gosta. Dentadura solta atrapalha a mastigação, e mastigar mal mexe com a digestão e com a nutrição, algo sério na terceira idade. O implante devolve uma mordida firme e ajuda de várias formas:
Alimentação mais variada e equilibrada, sem medo de a prótese soltar
Mais segurança para conversar, sorrir e sair de casa
Preservação do osso da região, que a dentadura não estimula
Autoestima de volta — e autoestima também é saúde
Cuidados antes, durante e depois
Do meu lado, o cuidado começa com uma avaliação detalhada: histórico de saúde, medicamentos, exame de imagem e uma conversa franca sobre o que dá para esperar. Do lado do paciente (e da família, que muitas vezes ajuda bastante), alguns pontos fazem toda a diferença:
Manter as doenças crônicas controladas e os exames em dia
Levar a lista de todos os medicamentos e avisar sobre remédios de osteoporose
Caprichar na higiene bucal todo dia — implante não tem cárie, mas a gengiva ao redor pode inflamar
Evitar o cigarro, que atrapalha bastante a cicatrização
Comparecer às consultas de manutenção; é nelas que a gente resolve qualquer detalhe no comecinho
Perguntas frequentes
Sou bem idoso. Ainda vale a pena?
Se você tem uma expectativa de vida ativa e saúde razoável, costuma valer muito a pena. A diferença que uma boa mastigação faz no dia a dia é enorme, em qualquer idade.
A cicatrização demora mais?
Pode demorar um pouco mais. Em média, a osseointegração leva de 3 a 6 meses em adultos mais velhos. Nada que atrapalhe o resultado; só pede um pouco mais de paciência.
Tenho osteoporose. Posso fazer implante?
Na maioria das vezes, sim. A osteoporose em si não é uma proibição. O que exige atenção redobrada é o tipo e o tempo de uso do medicamento, e isso a gente avalia junto na consulta.
Cada boca conta uma história diferente, e só dá para saber o que é possível no seu caso com uma avaliação presencial. Se você ou alguém da família está pensando em recuperar os dentes, agende uma consulta comigo na Onne Odontologia. Vamos analisar tudo com cuidado e montar o plano mais seguro e confortável para você.

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