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Sensibilidade nos dentes: por que dói e o que realmente ajuda

  • Foto do escritor: Dr. Evandro Osterne Filho
    Dr. Evandro Osterne Filho
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Quem nunca tomou um gole de água gelada e sentiu aquela fisgada rápida, quase um choque, num dente específico? No consultório, essa é uma das queixas que mais ouço. A pessoa chega meio sem graça, achando que é frescura, e logo descobre que não é nada disso. A sensibilidade nos dentes tem causa, tem explicação e, na grande maioria das vezes, tem solução.

Neste texto quero explicar, sem complicar, o que está por trás desse incômodo e o que costuma funcionar de verdade. A ideia não é substituir uma consulta, mas te ajudar a entender o que acontece na sua boca.

O que é a sensibilidade dentária

Por fora, o dente é coberto por uma camada bem dura chamada esmalte. Logo abaixo dela existe a dentina, que é cheia de canalículos microscópicos. Esses tubinhos têm ligação com o nervo, lá no centro do dente. Enquanto o esmalte está inteiro e a gengiva no lugar, a dentina fica protegida e ninguém sente nada.

O problema começa quando essa proteção falha. Se o esmalte se desgasta ou se a gengiva recua e expõe a raiz, a dentina fica à mostra. Aí, qualquer estímulo (o gelado do sorvete, o quente do café, o doce de uma sobremesa, às vezes só o ar frio entrando pela boca) viaja pelos canalículos e chega ao nervo. O resultado é aquela dor aguda e curta, que vai embora rápido mas assusta na hora.

Por que tantas pessoas têm isso

Costumo dizer aos meus pacientes que a sensibilidade quase sempre é um aviso de que algo está desgastando ou expondo o dente. As causas mais comuns que vejo são estas:

  • Escovação com força demais. Muita gente acha que apertar a escova limpa melhor. Acontece o contrário: a escovação agressiva, ainda mais com cerdas duras, raspa o esmalte e empurra a gengiva para baixo.

  • Retração gengival. Quando a gengiva recua, a raiz do dente fica exposta. E a raiz não tem esmalte, então é naturalmente mais sensível.

  • Dieta ácida. Refrigerantes, sucos cítricos, vinho e até aquele limão no dia a dia vão amolecendo o esmalte aos poucos.

  • Bruxismo. Quem range ou aperta os dentes durante o sono desgasta a superfície e gera microtrincas.

  • Clareamento mal conduzido ou em excesso. O clareamento pode causar sensibilidade temporária, principalmente quando é feito sem acompanhamento.

  • Cáries, restaurações antigas ou um dente trincado. Nesses casos a dor costuma ser mais localizada e merece atenção rápida.

Repare que muitas dessas causas estão no nosso hábito do dia a dia. É por isso que, antes de sair receitando pasta especial, eu sempre investigo o que está provocando o problema. Tratar o sintoma sem olhar a causa é enxugar gelo.

O que ajuda no dia a dia

Boa parte dos casos melhora bastante com ajustes simples em casa. Não é mágica, é constância.

A primeira mudança que peço é na técnica de escovação. Troque para uma escova de cerdas macias ou extramacias e alivie a mão. O movimento deve ser suave, sem esfregar como se estivesse limpando uma panela. Escovar logo depois de comer algo ácido também não é boa ideia: o esmalte fica momentaneamente amolecido, então o ideal é esperar uns trinta minutos.

Os cremes dentais dessensibilizantes são grandes aliados, e vale entender como funcionam. Os que têm nitrato de potássio agem acalmando o nervo do dente ao longo do tempo. Já os que contêm fluoreto de estanho criam uma espécie de escudo sobre a dentina exposta. Em ambos os casos, o segredo é o uso contínuo, pelo menos duas vezes ao dia. Não espere milagre na primeira semana; o alívio costuma aparecer depois de algumas semanas de uso regular. Uma dica que oriento bastante: em vez de enxaguar com água logo após escovar, cuspa o excesso e deixe o creme agir mais um pouco.

Reduzir a frequência de alimentos e bebidas muito ácidas também faz diferença. E, se você suspeita que aperta os dentes à noite, vale conversar comigo sobre uma placa de proteção. Já vi sensibilidade sumir só com o controle do bruxismo.

Quando procurar o dentista

Sensibilidade leve e passageira, que melhora com esses cuidados, normalmente não é motivo de alarme. Mas existem sinais que pedem avaliação sem enrolação: dor que persiste por dias, que é forte, que aparece de forma espontânea (sem nenhum estímulo) ou que se concentra em um único dente. Isso pode indicar cárie, infiltração numa restauração ou uma trinca, e quanto antes a gente olhar, mais simples costuma ser resolver.

No consultório eu tenho recursos que não existem na prateleira da farmácia: aplicação de flúor concentrado, vernizes e agentes dessensibilizantes, pequenas restaurações para cobrir a raiz exposta e, em casos mais raros, tratamentos voltados ao nervo. A escolha depende do que está causando a sua sensibilidade, e é por isso que o exame faz tanta diferença.

Perguntas frequentes

Sensibilidade nos dentes tem cura?

Na maioria das vezes, sim, ou pelo menos um controle muito bom. Como depende da causa, o tratamento varia de pessoa para pessoa.

Quanto tempo o creme dessensibilizante leva para fazer efeito?

Em geral, de duas a quatro semanas de uso constante. Largar no meio do caminho é o erro mais comum.

Clareamento sempre dá sensibilidade?

Não. Pode causar um desconforto temporário, mas quando é feito com acompanhamento e nas dosagens certas, o incômodo é controlável e passa.

Posso usar a pasta para sensibilidade para sempre?

Muita gente usa de forma contínua sem problema. Ainda assim, vale confirmar comigo, porque o uso prolongado sem melhora pode estar mascarando outra causa.

Vamos cuidar disso juntos

Se aquela fisgada anda atrapalhando seu cafezinho ou seu sorvete preferido, não precisa conviver com ela. Marque uma avaliação para a gente descobrir a origem do problema e montar um plano sob medida para o seu caso. Cada boca é diferente, e o melhor caminho é aquele pensado para você. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta nem oferece diagnóstico individual.

 
 
 

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