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Periodontite: quando a gengiva inflamada ameaça seus dentes

Foto do escritor: Dr. Evandro Osterne Filho
Dr. Evandro Osterne Filho
27 de jul.
4 min de leitura

Tem paciente que chega ao consultório meio assustado: a gengiva sangra há meses, um ou outro dente começou a “mexer” e o hálito anda ruim mesmo escovando direitinho. Quase sempre estou olhando para uma periodontite. É sobre ela que quero conversar aqui — sem drama, mas sem enrolação. A boa notícia é que dá para controlar. A menos boa é que, quando o osso ao redor do dente já foi embora, ele não volta sozinho.

O que é periodontite, afinal?

Pense na sustentação de um dente como o alicerce de uma casa: gengiva, ligamento e osso seguram cada dente no lugar. Quando esse conjunto adoece, temos a chamada doença periodontal. Ela tem duas fases. A primeira é a gengivite, uma inflamação restrita à gengiva, que é reversível. Se ninguém trata, a inflamação avança e passa a destruir o osso e o ligamento — aí já é periodontite, uma infecção bacteriana crônica dos tecidos que seguram o dente.

Como a gengivite vira periodontite

O ponto de partida é sempre a placa bacteriana, aquela película grudenta que se forma nos dentes todos os dias. Quando ela não é removida direito, endurece e vira tártaro — que a escova já não tira. Embaixo desse tártaro, as bactérias trabalham em paz e vão descolando a gengiva do dente, criando as chamadas bolsas periodontais. Quanto mais fundas essas bolsas, mais difícil limpar e mais osso se perde.

O detalhe traiçoeiro é que a periodontite costuma ser silenciosa. Ela raramente dói na fase em que ainda dá para resolver com facilidade. Por isso muita gente só percebe quando o dente amolece — e aí o estrago já está avançado.

Sinais de alerta que você não deveria ignorar

Vale ficar de olho se você notar:

  • Gengiva que sangra na escovação ou no fio dental, mesmo sem machucar

  • Gengiva vermelha, inchada ou, ao contrário, retraída (os dentes parecem “maiores” ou aparecem espaços pretos entre eles)

  • Mau hálito ou gosto ruim que não passa

  • Dentes amolecidos ou uma mordida que mudou de posição

  • Pus na gengiva ou sensibilidade ao redor da raiz

Reconheceu mais de um desses? Não é para entrar em pânico, mas é sinal de marcar uma avaliação. Quanto antes a gente age, menos osso se perde pelo caminho.

O que causa e o que aumenta o risco

A raiz de tudo é o acúmulo de placa por falha na higiene. Mas alguns fatores aceleram e agravam bastante o quadro. O cigarro é um dos piores: além de mascarar o sangramento, prejudica a cicatrização e a resposta do organismo. O diabetes descontrolado é outro grande vilão, numa relação de mão dupla — a periodontite dificulta o controle do açúcar no sangue, e o açúcar alto piora a gengiva. Genética, estresse, alterações hormonais (gravidez, menopausa) e alguns remédios que deixam a boca seca também entram na conta.

Por que isso importa além da boca

Aqui gosto de ser honesto com o paciente. A periodontite não fica presa na boca: ela mantém o corpo num estado de inflamação constante. A ciência mostra associação entre a doença periodontal avançada e problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e complicações na gravidez. Não é que a gengiva “cause” um infarto, mas cuidar da boca é uma peça a mais no cuidado da saúde geral. Tratar a periodontite, inclusive, ajuda diabéticos a controlarem melhor a glicemia.

Como é o tratamento

O primeiro passo é o diagnóstico correto, com exame das bolsas (sondagem) e radiografias para ver quanto de osso foi perdido. Definido o quadro, o carro-chefe do tratamento é a raspagem periodontal, também chamada de raspagem e alisamento radicular. Na prática, limpo a fundo o tártaro acima e abaixo da gengiva, inclusive dentro das bolsas, com anestesia local para você não sentir desconforto. É o padrão-ouro e, na maioria dos casos iniciais e moderados, resolve muito bem.

Nos casos mais graves, quando as bolsas são profundas, pode ser preciso um procedimento cirúrgico para acessar e limpar melhor a raiz, ou até enxertos para recuperar parte do tecido. Depois vem a fase que, sinceramente, decide o sucesso a longo prazo: a manutenção. São retornos periódicos — em geral a cada três ou quatro meses — para uma limpeza profissional e para conferir se está tudo estável. Periodontite bem tratada é periodontite acompanhada de perto.

Perguntas frequentes

Periodontite tem cura?

A gengivite, sim, é reversível. Já a periodontite a gente controla, não “desfaz”: o osso que se perdeu não volta ao normal sozinho. Mas com tratamento e manutenção é totalmente possível estabilizar a doença e manter os dentes por muitos anos.

A raspagem dói?

Com anestesia local, o procedimento é tranquilo. Pode haver uma sensibilidade passageira nos dias seguintes, que se controla bem.

Vou perder meus dentes?

Não necessariamente. A periodontite é uma das maiores causas de perda de dentes em adultos justamente quando não é tratada. Quem procura ajuda e mantém as consultas de acompanhamento costuma preservar o sorriso.

Se você reconheceu alguns desses sinais, o melhor caminho é uma avaliação sem pressa, para entender em que estágio está e traçar um plano. Estou à disposição para conversar sobre o seu caso e cuidar da sua gengiva com calma e atenção.

 
 
 

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