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Qual pasta de dente usar em cada idade da criança (e a quantidade certa)

Foto do escritor: Dr. Evandro Osterne Filho
Dr. Evandro Osterne Filho
30 de jul.
3 min de leitura

Você está no corredor do supermercado, pega a pastinha colorida com o personagem preferido do seu filho e bate aquela dúvida: pode com flúor? Sem flúor? Quanto colocar na escova? É uma das perguntas que mais escuto de pais e mães no consultório, e faz todo sentido, porque a recomendação mudou nos últimos anos e muita gente ficou com a informação antiga na cabeça.

Pode usar pasta com flúor? Pode sim — e essa é a parte que mudou

Durante muito tempo a orientação era evitar flúor até a criança aprender a cuspir. Hoje a gente sabe que o flúor é justamente o que faz a pasta prevenir cárie de verdade, e a recomendação da Sociedade Brasileira de Odontopediatria e de outras entidades é usar creme dental com flúor desde o nascimento do primeiro dentinho. O segredo não é tirar o flúor, é controlar a quantidade.

A regra de ouro é a quantidade certa para cada idade

É aqui que mora a segurança. A quantidade de pasta muda conforme a idade e a capacidade de cuspir da criança:

  • Até os 3 anos (ou antes de aprender a cuspir): use só uma lambuzadinha, do tamanho de um grão de arroz cru. É bem pouco mesmo, uma película fina nas cerdas.

  • Dos 3 aos 6 anos: o tamanho de uma ervilha já é suficiente.

  • A partir dos 6 ou 7 anos: pode um pouco mais, mais ou menos um grão de feijão, e nessa fase a criança já costuma cuspir bem.

Duas escovações por dia com pasta fluoretada, sempre com um adulto por perto, e sem enxaguar com muita água depois: aquele resíduo de flúor que fica é bem-vindo. E nada de deixar a criança comer a pasta ou escovar sozinha achando que quanto mais espuma, melhor.

Olhe a concentração de flúor no rótulo

Aqui está o detalhe que quase ninguém repara. Muitas pastas vendidas como “infantis” têm flúor de menos, ou quase nenhum, e viram basicamente um gel saboroso que limpa mas não protege contra cárie. Procure no rótulo uma concentração de pelo menos 1000 ppm de flúor (costuma aparecer como 1000, 1100 ou 1450 ppm). Se estiver muito abaixo disso, a proteção cai bastante.

E o sabor e o personagem?

Sabor bom e embalagem divertida ajudam, e muito, a criança querer escovar, então não tem problema escolher pela preferência dela. Só não deixe o personagem decidir sozinho: confira o flúor no rótulo antes. Uma pasta gostosa que a criança usa todo dia, com a concentração certa e na quantidade certa, é o combo ideal.

Perguntas frequentes

Meu filho ainda engole a pasta. Tem perigo?

Por isso a quantidade importa tanto. Com o grão de arroz até os 3 anos e a ervilha depois, mesmo que ele engula um pouquinho a exposição fica dentro do seguro. O risco de manchinhas nos dentes (fluorose) está ligado ao excesso repetido, não a engolir uma vez ou outra.

Pasta “sem flúor” não é mais segura?

É segura, mas protege menos. Como o controle é feito pela quantidade, dá para ter o benefício do flúor com segurança. A pasta sem flúor limpa, mas não tem o mesmo poder de prevenir cárie.

Preciso comprar pasta infantil específica?

Não obrigatoriamente. O que define é a concentração de flúor e a quantidade que você coloca. Muitas famílias usam a mesma pasta, só ajustando a porção da criança. O importante é o rótulo e a dose.

Se quiser, posso avaliar a boquinha do seu filho e indicar a pasta e a quantidade ideais para a idade e o risco de cárie dele. Agende uma avaliação e a gente conversa com calma. Este texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta.

 
 
 

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